Educação e Pedagogia Contemplativa

Como o homem aprende? Como algo pode fazer sentido a ponto de gerar uma mudança permanente em padrões de pensamento? Como a vida pode ter sentido?

Essas não são perguntas novas. E, embora muitos estudiosos tenham dedicado suas vidas a buscar e encontrar respostas confiáveis e plausíveis, tudo o que precisamos saber está sempre conosco. De alguma forma, todas as nossas dúvidas são existenciais.

São muitos os sentidos usados pelos humanos para compreender o mundo, desde o ventre materno. A neurociência, por exemplo, tem buscado compreender de forma empírica os caminhos dos sentidos. A antropologia e a psicologia são ciências dedicadas a observação e a dedução. Todas as ciências usam métodos próprios com princípios semelhantes. A ciência contemplativa tem princípios semelhantes, mas com objetivos diferentes. Observar sem manipular e classificar.

As tradições científicas orientais estudavam o homem com os recursos que eram compatíveis ao momento, especialmente, a observação paciente e detalhada. O grande educador contemplativo, Confúcio, lembrou sobre o ser humano:

“O homem ao nascer é, por natureza, radicalmente bom. Criar e não educar é um erro dos pais. Pedras não lavradas não podem formar nada útil.”

Não havia no momento em que Confúcio cunhava suas teorias nenhum questionamento sobre detalhes, mas, uma visão global, ampla e não comedida. Por exemplo, não questionava o significava do que é ser bom, mas afirmava que o homem nasce assim. Liang 良, a expressão chinesa para bom, é muitas vezes traduzida como bom coração. Seu sentido mais literal tem o significado de  agradável . A expressão também tem relação com a ideia inata. Um modo de ser naturalmente agradável. Mas o detalhe que deve constar nessa explicação é que, ser naturalmente bom, tem a ver com o auto-tratamento generoso e gentil. O homem é primeiramente gentil consigo, e isso não é uma forma de egoismo.

Os pais deveriam, segundo Confúcio, ajudar seus filhos, moldar, usar suas características agradáveis inerentes com o objetivo de não perderem sua essência. Para tanto a educação precisaria ser prática, e um dos seguidores da Grande Escola de Confucio, séculos mais tarde, o Professor Wang Yangming, destacou esse aspecto usando a mesma expressão cunhada por seu professor original, com apenas um acréscimo.

A expressão 梁志 Liang Zhi destaca a ideia de que o homem entenderá o sentido de todas as coisas ao passo que descobre e realizaUm ato contemplativo do conhecimento. É o presente absoluto que encontramos na obra filosófica do pensador japonês Kitaro Nishida.

A observação pura é o que conduz o homem ao seu centro, a sua individuação. Porém, Confúcio destaca que não é preciso que o homem redescubra isso, pois, a criança, se continuar em seu caminho natural, já está centralizada e individuada. A cultura é que distancia o homem de seu centro.

Ao mesmo tempo, ele destaca o fato de que, se as características inerentes não forem cultivadas, acabam por estagnar-se e não gerando a movimentação necessária para a adaptação ao mundo já estruturado e conflitante. O presente absoluto como experiência individual e evolutiva.