Educação Emocional

Elinor Gene Knudsen Hoffman, terapeuta que desenvolveu o sistema de Escuta Compassiva, em um de seus escritos lembra um detalhe importante sobre o ser humano: “de que um grande fonte de violência são as nossas feridas não curadas.”

Basicamente tem sido mais fácil conhecermos nossos sofrimentos e uma forma de violência latente que permeia toda a sociedade, mesmo nas escolas infantis, do que perceber a si mesmo. Raramente entendemos o que sentimos. Confundimos medo com raiva e tristeza com preocupação. Não sabemos ao certo o que se passa dentro de nós. E, caso tenhamos sofrido violência doméstica ou cultural, não entender o que se sente tem levado a onda crescente de violência, como disse a Dra. Gene Hoffman.

O que eu sinto? O que é a depressão que se fala tanto? O que é a raiva? O que é a alegria? Por que me sinto triste? O que é a dor? O que é o objeto de busca mais profunda do ser humano, a felicidade?

O Dr. Ludwig Binswanger, o idealizador da Daseinsanalyse, diz que o “ser é fundamentalmente presença, em que o ser em causa é a sua própria possibilidade de ser.”

O professor e monge budista, Walpola Rahula lembra que a “emancipação do homem depende de sua compreensão da Verdade” e que “para quem procura a Verdade é irrelevante saber de onde vem a ideia. A origem ou o desenvolvimento de uma ideia são assuntos para o acadêmico. De fato, para saber a Verdade não é sequer necessário saber se o ensinamento parte de Buda ou de outra pessoa qualquer. O que é essencial é ver o assunto e compreendê-lo.”

O filósofo e psiquiatra, Dr. Karl Jaspers, também comenta que “a Existência só se
pode esclarecer. A realidade deixa de ser o mundo para ser a própria realidade do existir ou o próprio existir enquanto tal, uma vez que do ponto de vista formal, a Existência equivale ao ser-sujeito.”

O ser-sujeito precisa existir. Ser responsável por sua existência. É disso que trata a Educação Emocional: existir.

Será que o que sinto é o que realmente sinto? Por que falo coisas quando não estou pensando? Por que quando desejo algo acabo por fazer exatamente o oposto? Por que sinto essa opressão no peito? Emoção e sentimento são a mesma coisa?

As técnicas que utilizamos no Instituto como base para o desenvolvimento emocional e o autoconhecimento se estruturam nos princípios do Mindfulness, a saber:

  • consciência da respiração
  • conhecer o próprio corpo
  • caminhar conscientemente
  • aplicar atenção plena a cada atividade do dia

A questão aqui é a tomada de consciência. Estar realmente presente, especialmente sobre o que refere a si mesmo. O Dr. Jon Kabat-Zinn, idealizador das técnicas de Mindfulness no ocidente comenta que “grande parte do sistema educacional orienta os alunos a se tornarem melhores pensadores, mas quase não há atenção para nossa capacidade de prestar atenção e cultivar a consciência.” E isso se refere também a auto-educação, algo que não estamos acostumados, pois, “a ética puritana nos deixou uma herança de culpa quando fazemos algo só para nós mesmos.” 

Conhecer a si mesmo, especialmente através de nossas emoções, é um modo de experimentar o mundo!

keshilla

 

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