Seminário: A Arte de Educar Espiritualmente

No mundo moderno a dúvida sobre o certo e o errado tem levado a cada vez mais confusão sobre como se educar filhos. O sociólogo Zygmund Baumann comenta sobre as dificuldades dos pais na criação dos filhos:

“Ter filhos significa avaliar o bem-estar de outro ser, mais fraco e dependente, em relação ao nosso próprio conforto. A autonomia de nossas preferências tende a ser comprometida, e continuamente: ano após ano, dia após dia. A pessoa pode tornar-se — horror dos horrores — “dependente”. Ter filhos pode significar a necessidade de diminuir as ambições pessoais, “sacrificar uma carreira”, como pessoas submetidas à avaliação de seu desempenho profissional olham de soslaio em busca de algum sinal de lealdade dividida. Mais dolorosamente, ter filhos significa aceitar essa dependência divisora da lealdade por um tempo indefinido, aceitando o compromisso amplo e irrevogável, sem uma cláusula adicional “até segunda ordem” — o tipo de obrigação que se choca com a essência da política de vida do líquido mundo moderno e que a maioria das pessoas evita, quase sempre com fervor, em outras manifestações de sua existência. Tomar consciência de tal compromisso pode ser uma experiência traumática. A depressão e as crises conjugais pós-parto parecem enfermidades específicas de nossa “modernidade líquida”, da mesma forma que a anorexia, a bulimia e incontáveis variedades de alergia.”

O que a educação deveria promover: Uma pessoa com futuro brilhante? Uma pessoa de bem? Paz? Realização Pessoal? Com dúvidas como essas a educação tem falhado em lares e escolas.

A filósofa, Hannah Arendt, também comenta sobre as diferenças entre a educação escolar e a familiar:

“A função da escola é ensinar às crianças como o mundo é, e não instrui-las na arte de viver.”

A espiritualidade sempre foi o caminho básico para o autoconhecimento e o sucesso em todos os sentidos. Com o devido autoconhecimento, o homem pode gerar o mundo que deseja, sempre pleno de consciência.

Nesse seminário trabalharemos com pais e educadores o papel da Espiritualidade na formação do indivíduo. Ao mesmo tempo observaremos a importância de haver espiritualidade nos lares e escolas, mesmo sem haver alguma forma de ligação religiosa. Espiritualidade, além da religiosidade, é o conhecimento de si mesmo, de seus limites, emoções e sentimentos. Ao conhecer a si mesmo, o mundo se abre para nós e nossos filhos!


Facilitadores:

Delcio Kunzler – teólogo, filósofo, realizando a formação como analista junguiano, tendo 10 anos de experiência como padre.

Helio Jinke – psicanalista, membro da Associação Internacional de Psicologia da Religião e da Associação Brasileira de Etnopsiquiatria


Data: 14 de março de 2020

Horário: 9h as 11h30

Investimento: R$80,00

Local: na sede de Garibaldi, avenida Independência, 719, centro

É PRECISO CONFIRMAR COM ANTECEDÊNCIA! VAGAS LIMITADAS!

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Educação Emocional

Elinor Gene Knudsen Hoffman, terapeuta que desenvolveu o sistema de Escuta Compassiva, em um de seus escritos lembra um detalhe importante sobre o ser humano: “de que um grande fonte de violência são as nossas feridas não curadas.”

Basicamente tem sido mais fácil conhecermos nossos sofrimentos e uma forma de violência latente que permeia toda a sociedade, mesmo nas escolas infantis, do que perceber a si mesmo. Raramente entendemos o que sentimos. Confundimos medo com raiva e tristeza com preocupação. Não sabemos ao certo o que se passa dentro de nós. E, caso tenhamos sofrido violência doméstica ou cultural, não entender o que se sente tem levado a onda crescente de violência, como disse a Dra. Gene Hoffman.

O que eu sinto? O que é a depressão que se fala tanto? O que é a raiva? O que é a alegria? Por que me sinto triste? O que é a dor? O que é o objeto de busca mais profunda do ser humano, a felicidade?

Dr. Ludwig Binswanger, o idealizador da Daseinsanalyse, diz que o “ser é fundamentalmente presença, em que o ser em causa é a sua própria possibilidade de ser.”

O professor e monge budista, Walpola Rahula lembra que a “emancipação do homem depende de sua compreensão da Verdade” e que “para quem procura a Verdade é irrelevante saber de onde vem a ideia. A origem ou o desenvolvimento de uma ideia são assuntos para o acadêmico. De fato, para saber a Verdade não é sequer necessário saber se o ensinamento parte de Buda ou de outra pessoa qualquer. O que é essencial é ver o assunto e compreendê-lo.”

O filósofo e psiquiatra, Dr. Karl Jaspers, também comenta que “a Existência só se
pode esclarecer. A realidade deixa de ser o mundo para ser a própria realidade do existir ou o próprio existir enquanto tal, uma vez que do ponto de vista formal, a Existência equivale ao ser-sujeito.”

O ser-sujeito precisa existir. Ser responsável por sua existência. É disso que trata a Educação Emocional: existir.

Será que o que sinto é o que realmente sinto? Por que falo coisas quando não estou pensando? Por que quando desejo algo acabo por fazer exatamente o oposto? Por que sinto essa opressão no peito? Emoção e sentimento são a mesma coisa?

As técnicas que utilizamos no Instituto como base para o desenvolvimento emocional e o autoconhecimento se estruturam nos princípios do Mindfulness, a saber:

  • consciência da respiração
  • conhecer o próprio corpo
  • caminhar conscientemente
  • aplicar atenção plena a cada atividade do dia

A questão aqui é a tomada de consciência. Estar realmente presente, especialmente sobre o que refere a si mesmo. O Dr. Jon Kabat-Zinn, idealizador das técnicas de Mindfulness no ocidente comenta que “grande parte do sistema educacional orienta os alunos a se tornarem melhores pensadores, mas quase não há atenção para nossa capacidade de prestar atenção e cultivar a consciência.” E isso se refere também a auto-educação, algo que não estamos acostumados, pois, “a ética puritana nos deixou uma herança de culpa quando fazemos algo só para nós mesmos.” 

Conhecer a si mesmo, especialmente através de nossas emoções, é um modo de experimentar o mundo!

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Ciência Contemplativa

Existe atualmente muitos centros no mundos dedicados ao estudo científico da contemplação e da meditação na mente e comportamentos humanos. Muito mais do que proporcionar relaxamento e uma base para isso, a Ciência Contemplativa realmente se dedica a entender e a criar novos métodos para a educação em todos os níveis com aplicações diversas.

Os neurocientistas, estudando os efeitos da meditação, contemplação e oração, perceberam que os praticantes tem maior atividade cerebral nas regiões do lobo frontal e do sistema límbico, responsáveis pela cognição e comportamento. Ao mesmo tempo perceberam que a região do lobo parietal, responsável pela lógica, tem diminuídas suas funções. É quando a pessoa alcança a experiência pura, segundo o filósofo japonês, Kitaro Nishida, ou, a experiência mística, segundo diversas tradições.

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A Dra. Sara Lazar (PHD), pesquisadora do Programa de Pesquisa em Neuroimagem Psiquiátrica do Massachusetts General Hospital , diz em uma publicação na “The Harvard Gazette” que, “embora a prática da meditação esteja associada a uma sensação de tranquilidade e relaxamento físico, os praticantes há muito afirmam que a meditação também proporciona benefícios cognitivos e psicológicos que persistem ao longo do dia”. (para saber mais acesse Eight weeks to a better brain)

A figura abaixo mostra a espessura da ínsula e do córtex pré-frontal dos praticantes e não praticantes de meditação envolvidos na pesquisa.

Na segunda figura é possível observar o impacto da meditação e do Yoga sob a inteligência.

A terceira apresenta a mudança na concentração da massa cinzenta no hipocampo.

A quarta imagem apresenta mudança na densidade da massa cinzenta na Amígdala.

A última imagem apresenta as regiões com aumento de massa cinzenta após oito semanas de tratamento envolvendo as técnicas de Mindfulness.

Mesmo estudiosos cientistas que se dedicaram aos estudos das praticas contemplativas e meditativas puderam entender que nossa ciência, no entanto, ainda não tem condições de explicar nem mensurar todas as mudanças possíveis. Isso, no entanto, não impede que estudos aprofundados sejam feitos. Um dos maiores estudiosos no assunto, provavelmente, um dos pioneiros, foi o psiquiatra, Dr. Tomio Hirai. Em 1966, por exemplo, o médico japonês publicou um tema interessante, “An electroencephalographic study on the Zen meditation”, que você pode baixar aqui… EEG_and_Zazen.

Porém, entendemos que qualquer situação pode promover mudanças em nosso cérebro, mesmo experiências traumáticas, como um tiro na cabeça, por exemplo. Porém, isso por si só já é um argumento importante sobre a eficácia dos estudos, pois, muito além do processo de meditar que envolveria práticas específicas e direcionadas, a contemplação entra no campo do que é natural ao homem, que não exige mudanças de comportamento aparentes, mas, que as promovem como resultado ao passo que o individuo encontra seu ritmo de observação interna e externa.

Biotipia Contemplativa

A biotipologia é um estudos que vem ganhando cada vez mais adeptos ao longo dos anos. Especialmente o oriente produziu diversos estudos sobre os homens e seus comportamentos, sobretudo do ponto de vista não-contemplativo e suas consequências.

Um dos maiores estudiosos sobre o assunto foi o fundador da técnica Seitai, Haruchika Noguchi. Uma das partes de seus estudos está relacionada com a tendência corporal da pessoa em sensibilidade, temperamento, movimento e personalidade. À partir desse princípio desenvolveu a importante teoria do Taiheki (体 癖).

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São 12 biotipos taiheki ao todo. Mas vamo destacar sobretudo o chamado Taiheki de Rotação. A pessoa desse biotipo tem pouco simetria facial, o tronco tem aspecto forte parecendo ser mais curto visualmente. A pessoa tende a estar sempre na defensiva, a ser muito competitiva, controlador, possessivo, com muito medo de perder aquilo que é seu.

Segundo o Professor Noguchi, a pessoa apresentaria problemas na coluna em áreas bem específicas, incluindo a terceira vértebra cervical e a mesma na região lombar. Especialmente na região cervical se evidenciará esse problemas através de fortes dores e impossibilidade de movimentação. Coluna-cervical

Nesses casos o mais comum é a pessoa apresentar um quadro de espondilolistese da C3, quando há um escorregamento da vértebra.

O Professor Noguchi dizia que pessoas desse biotipo costumavam ser extremamente pensantes. Com pouco tempo para a contemplação. Extremamente focadas. Extremamente tensas.

Como observamos em nossos estudos contemplativos, a centralização significa manter um centro, um foco. Nesse caso, o foco em si mesmo e em suas coisas. O homem deixa de ser o si-mesmo para ser alguém que tem. Essa pessoa deposita um falso selbst nas coisas que lhe pertencem, como se fosse uma extensão de si, um braço-mecânico.

A contemplação é o oposto disso. É a descentralização. O não-foco. A visualização do todo sem intermediação.

A contemplação e as atividades do córtex pré-frontal

O córtex pré-frontal (PFC) é a parte anterior do lobo frontal do cérebro. Está localizado anteriormente ao córtex motor primário e ao córtex pré-motor.

Figura-3-Cortex-cerebral-enfase-na-regiao-centralEssa região é relacionada ao comportamento humano e aos pensamentos complexos, como perseverança, julgamento, controle de impulsos, organização, antecipação, critica, aprendizados associados a experiencia, empatia, entre outros. Toda a forma de expressão da personalidade, incluindo as decisões vitais, o convívio social estão relacionadas a esse setor do cérebro. Todas as suas atividades promovem as respostas de nossos condicionamentos internos.

A chamada “função executiva” é o processo neuropsicológico mais importante do córtex pré-frontal e está diretamente relacionada a função dos pensamentos complexos. Segundo os neurocientistas mostram em suas pesquisas, prejuízos nas funções relacionadas a essa região conduzem o indivíduo a maior reatividade, agressividade, distração, hiperatividade, procrastinação, dificuldades emocionais, dificuldade nos julgamentos (distinguir o bem do mal), problemas de memória a curto prazo, mal entendidos frequentes e inadequação social.

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Um dado interessante sobre essa área é que é conhecida como a última área de nossa evolução. Os estudiosos começaram recentemente a examinar as mudanças do desenvolvimento em redes cerebrais consideradas importantes para o funcionamento executivo, examinando as mudanças nas conexões entre o CPF e as outras regiões comumente associadas ao funcionamento executivo, como o córtex parietal, córtex cingulado e córtex insular. Como essas redes podem ser observadas e medidas, mesmo quando os participantes estão em repouso, muitos estudos recentes têm utilizado a denominada fMRI do estado em repouso para investigar a organização de redes de controle cognitivo em diferentes idades. Os resultados  iniciais sugerem uma reorganização ampla da rede durante o desenvolvimento, com a formação de novas conexões de longo alcance e eliminação de conexões pré-existentes de curto alcance ao longo do crescimento das crianças. Outras evidências recentes levaram à análise desses resultados iniciais e sugerem que a reorganização das redes de funcionamento executivo durante o desenvolvimento pode ser menos marcante do que se imaginava inicialmente. No entanto, apesar desses passos em falso iniciais, o estudo da organização da rede durante o desenvolvimento continua a atrair a atenção, na medida que os pesquisadores reconhecem cada vez mais que as regiões cerebrais trabalham em conjunto para concretizar um nível elevado de pensamentos e ações.

É exatamente essa área que o pesquisador Richard Davidson percebeu mudanças significativas em pacientes que meditavam ou praticavam formas de contemplação. Seu paciente mais famoso é o monge tibetano de origem francesa Mathieu Ricard, considerado como o homem mais feliz do planeta.

Uma das primeiras conclusões do pesquisador foi: “A felicidade é uma habilidade  que pode se aprender, tanto quanto um esporte ou um instrumento musical. Quem pratica fica cada vez melhor”, diz ele.

A revista Frontiers in Aging Neuroscience publicou um artigo recente onde também mostra que o córtex pré-frontal dos praticantes de Yoga é mais espesso. O pesquisador brasileiro responsável pela descoberta, Rui Afonso, comente: “Nós encontramos maior espessura cortical no córtex pré-frontal esquerdo nas praticantes de ioga, em regiões associadas com funções cognitivas como a atenção e memória”.

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A chamada Neuroestética também traz estudos interessantes sobre como o homem reage à arte.  Um estudo da neurocientista Julia F. Christensen, da Universidade da cidade de Londres, que mapeou as emoções de pessoas que assistiram a vídeos curtos de apresentações de balé, mostrou que formas corporais suaves, arredondadas e abertas suscitam sentimentos positivos, enquanto formas tensas trazem emoções negativas. Essas associações impactam, por exemplo, nossa percepção dos personagens de desenho animado como bons ou maus.

Seja através da arte em si, que é considerada uma das principais práticas contemplativas, da meditação, da observação atenta e outros métodos e sistemas, a neurociência ve, provando a importante atuação sobre o sistema mais evoluído do corpo humano, o córtex pré-frontal.