Contemplação do Rabino Avraham Abulafia

Avraham Samuel Ben Abulafia, um dos mais importantes mestres kabbalistas, nasceu em 1240 na cidade de Zaragoza, Espanha. Embora fosse judeu sefaradita ortodoxo, o que significa um apego restrito as leis da Torah e ao Talmude, Rabi (diminutivo de rabino) Abulafia tem formação mais filosófica do que rabínica. As bases de seu pensamento são a obra Morê Nevuchim (O Guia dos Perplexos) do Rabi Moshe Ben Maimon (Maimônides) e o Sêfer Yetzirah (Livro da Criação) atribuído ao Patriarca Avraham.

Um dos destaques à vida de Abulafia é sua intensa necessidade espiritual, evidente desde sua juventude. E, diferente da maioria dos judeus ortodoxos, Abulafia se permitiu ir além e conhecer um pouco de outras culturas e filosofias contemplativas, como o Sufismo.

Escreveu diversos textos, e deu inicio a forma contemplativa kabbalista mais conhecida nos dias atuais, a permutação das letras hebraicas, registradas no Sêfer Ha-Tseruf. Abulafia comenta sobre essa prática:

“A ciência da combinação das letras: sabei que o método do Tseruf pode comparar-se a música, pois o ouvido ouve os sons e combinações diversas conforme o caráter da melodia e do instrumento. Assim, dois instrumentos diferentes podem formar uma combinação e, se os sons se harmonizam, o ouvido de quem escuta experimenta uma sensação agradável ao conhecer as diferenças. As cordas dedilhadas pela mão esquerda ou pela mão direita vibraram, o som delas é doce ao ouvido. Do ouvido viaja até o coração e do coração até o baço – o centro da emoção. A união das diferentes melodias produz sempre novo prazer. É impossível produzi-lo exceto pela combinação de sons e o mesmo é verdade quanto à combinação das letras. Toquemos a primeira corda que pode ser comparada à primeira letra; e dedilhemos a segunda, a terceira, a quarta e a quinta, os diversos tons se combinam. Os mistérios que se exprimem nestas combinações rejubilam o coração que conheceu seu Deus e que se inunda de uma alegria sempre renovada.”

Abaixo você poderá conhecer mais sobre a prática do Tseruf.

  

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