Pedagogia Contemplativa

Usando as palavras de Thomas Merton, em “um mundo de ação” pensar em estado contemplativo é quase uma utopia. Ao mesmo tempo em que a realidade se apresente desta forma, encontramos um contínuo interesse nas praticas meditativas, como Zen, Yoga entre outras. O que reflete a urgente necessidade de uma alternativa a essa locomotiva acelerada que empele a sociedade moderna.
A expressão contemplar significa essencialmente admirar, pensar em algo profundamente e alcançar uma determinada experiência através da vivência e não pelo discurso. Como sua raiz semântica está relacionada com o grego THEORIA, contemplar significa experimentar algo ao invés de compreendê-lo de forma teórica.
Como a palavra theoria está relacionada a THEOS (Deus), é possível concluir que contemplar é uma expressão da alma mais profunda, do selbst (self) em detrimento ao ego pensamento e teorizador, em um estado pleno, sem usurpação do desejo. É ver ou experimentar o que seria impossível através da lógica cartesiana. É como teorizar a existência de Deus. E, muito embora o próprio Jung tenha se denominado um cientista cartesiano em uma carta sobre Martin Buber, a conhecida Meditação Ativa tem seus fundamentos na contemplação.
Apesar do estado contemplativo ser natural ao homem, pois essa é sua essência, ou, parafraseando a premissa budista, o estado de Buda, é preciso que seja desprogramado de nosso intelecto o sistema complexo cartesiano de pensamento. Ver além do obvio, como diriam os japoneses. Perceber que nas oscilações das ondas, há uma linearidade não facilmente observável pela lógica.
Por isso, mesmo tendo em vista uma impossibilidade sobre a teorização do aspecto contemplativo, faz-se necessário em nossa sociedade um sistema pedagógico que insira o ser humano dentro de si. Que não haja mais dissoluções internas. Mas isso não pode e nem deve ser ensinado somente em escolas ou templos, e, sim, desde a infância, que seria o equivalente a dizer que deixaremos as crianças manterem seus selbst intactos, em estado puro e natural.
O pedagogo contemplativo poderá agir em todos os campos da sociedade: empresas, lares, escolas, templos e igrejas, como mediador entre a cultura pré-estabelecida e o estado natural do ser humano. A questão não é tão-somente uma mudança de paradigmas modernos, mas um alteração na auto-avaliação. Pois, mudando a si mesmo o homem poderá mudar os aspectos em seu entorno sem gerar desconfortos.
É preciso que o homem reaprenda mais sobre si mesmo. Que perceba que o que é chamado de instinto ou intuição é sua verdade voz interna. Que existe um mundo interno que não precisa ser avaliado nem alterado nem mesmo comparado, pois é a essência básica de cada, algo semelhante ao que Jung disse sobre o “mito pessoal”.
A Pedagogia Contemplativa pode nos ajudar a aprender a apreciar e a experimentar a própria existência e suas incontáveis possibilidades.
É sobre esse assunto que abordaremos em um futuro retiro contemplativo. Veja os temas principais:
– Pedagogia Contemplativa como mediadora entre o selbst e o mundo moderno
-Estudos de Thomas Merton sobre a contemplação, como as “sementes da contemplação”, “Vida Silenciosa”, “Oração Contemplativa” e a “Contemplação em um Mundo de Ação”
– Estudos junguianos sobre a contemplação e a meditação ativa
– Estudos sobre o Mestre Dogen a respeito da observação de todas as coisas
– Práticas Contemplativas

Por Sociedade Internacional de Filosofia e Psicologia Oriental

Hélio Laureano

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